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Entrevista para a CNN Brasil


 No dia 07 de novembro de 2020, eu realizei o sonho de aparecer nacionalmente na televisão brasileira. Como contei no primeiro post deste blog, eu queria ser jornalista antes de cursar direito. A vida seguiu e eu nunca imaginei que esse sonho ainda iria se realizar. Lembro que quando a CNN chegou ao Brasil e estava recrutando vários jornalistas eu pensei "bem que eu poderia ser correspondente internacional". Mas, obviamente isso era tão distante e impossível que eu, simplesmente, esqueci a televisão. 

Na sexta-feira de manhã, eu acordei e abri meu computador para começar a estudar. Como todo o mundo, eu estava acompanhando ansiosa o resultado das eleições americanas. Então, vi um e-mail de uma assistente de conteúdo da CNN perguntando se poderia me ligar. Após a ligação, recebi o convite para ser entrevistada pela CNN Brasil falando sobre as eleições. 

Na entrevista pude contar ao Brasil um pouco do clima em Indiana, do processo eleitoral e do resultado. Ainda não sou correspondente (quem sabe um dia), mas ser entrevistada pela CNN fez valer a pena todos esses anos de estudo e dedicação.

Confiram a entrevista completa (Eu apareço na minutagem 5:24:23):

Entrevista Talitha Krenk - CNN Brasil

Gostaria de agradecer também a todos os meus leitores que sempre torcem por mim.

Obrigada!

https://krenklaw.com

Prêmio Elite 50

Há dois anos que eu ganhei o prêmio Elite 50 da Indiana University Purdue University Indianapolis. Percebi que não havia feito nenhum post sobre o prêmio.

O prêmio Elite 50 a cada ano é destinado a 50 estudantes de Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado que demostraram excelência além da sala de aula, em áreas como liderança no campus, pesquisa e ajuda à comunidade. Os premiados representam o melhor entre os alunos de graduação, estudantes profissionais e capturam tudo que faz a IUPUI excepcional.

Eu ganhei o prêmio em Abril/2018. Confira a lista de ganhadores:
https://graduate.iupui.edu/support/elite50/index.html

Noticia no site da Law School:
https://mckinneylaw.iu.edu/news/releases/2018/03/five-from-iu-mckinney-named-to-elite-50-for-2018.html

A premiação foi realizada em um jantar formal na universidade. Abaixo confira algumas fotos:


.                 

Vídeos do prêmio:









Sem dúvidas, receber um prêmio de uma Universidade Americana foi um dos momentos mais marcantes da minha carreira.

Até o próximo post.



Como me tornei funcionária pública nos EUA


Em 2018, fui contratada como Analista da Procuradoria do Estado de Indiana. Contratada? Sim! Nos Estados Unidos não existe concurso público e o sistema de contratação é igual ao de uma empresa privada. No post de hoje vou dividir com vocês como foi o meu processo de seleção.

Obs.: Não iremos abordar os casos de Juízes. Os Juízes são eleitos, ou apontados. Assim como, o Procurador Geral do Estado, e outros cargos de chefia. 

Estrangeiros podem trabalhar no governo americano?

Depende. A maioria dos trabalhos federais exigem cidadania Americana. Por exemplo, para estagiar no FBI você precisa ser americano (nato ou naturalizado). Mas, os empregos estaduais são diferentes. Nos EUA, cada estado tem sua lei, em alguns você precisa ser residente permanente (green card holder) ou ser americano. Outros, teoricamente, patrocinam vistos de trabalho. Contudo, diante da dificuldade, preço e burocracia da imigração, eles (geralmente) preferem contratar pessoas que já possuem documentos para ficar no país.

Como a contratação ocorre? 

Cada departamento de governo tem seu website. Nos sites são postadas as vagas de emprego: Procurador Estadual, Promotor de Justiça, Analista, etc. Existe a descrição da vaga e os requisitos para contratação. Você submete seu currículo e toda a documentação requerida para o RH. O RH fará a primeira análise, contato e entrevista. Caso você seja aprovado pelo RH, você passa por outras fases de entrevistas. Dessa vez, com o seu futuro chefe. A quantidade de entrevistas depende do local para o qual você está aplicando. No meu caso, após passada pelo crivo do RH, fiz mais duas entrevistas. A primeira, com a Procuradora chefe do meu departamento. A segunda, com a Procuradora Diretora da seção. Após 1(uma) semana da última entrevista, recebi um telefonema com a proposta de emprego do RH. 

Existe estabilidade?

Sim. A estabilidade nos Estados Unidos não é vista como no Brasil. Aqui ser estável é trabalhar para uma empresa que tem pequenas, mínimas ou zero chances de falência. O Estado é assim. Além do mais, é bem difícil um funcionário público ser demitido, pois existem processos administrativos como os do Brasil, com direito à ampla defesa e contraditório. 

Salário

O salário não é alto como os de alguns setores da iniciativa privada. Mas, o setor público oferece os melhores pacotes de benefícios do mercado, além de férias, licença maternidade, feriados pagos, days off, sick days, e desconto em empresas ( pacote de telefone, internet, estacionamento gratuito no centro da cidade, etc.) E o mais importante: não trabalhamos com horas faturadas ( o que pode deixar um trabalho super estressante). Em regra, você trabalha 7.5h + hora do almoço. Obviamente que se você está se preparando para uma audiência complicada, você se verá trabalhando em casa ou nos finais de semana. Agora isso não é tão comum como na iniciativa privada.


Vantagens

Para advogados recém formados eu diria que a maior vantagem é a autonomia. Você assina seus documentos.  Você representa a ação. E você realiza audiências muito mais rápido que um Associado de Escritório (cujo o associado trabalha no escritório, mas o sócio que faz as audiências). 

Ainda sou Analista?

Não. No final de 2018, eu sai do cargo de analista em razão da universidade. Como curso um doutorado profissional, comecei a ter choque de horários e falta de tempo. Então, fui contratada como Law Clerk, onde trabalho menos horas e tenho uma agenda mais flexível. Hoje sou Law Clerk na divisão médica de Direito do Consumidor. 

É o emprego dos sonhos?

Assim como respondi no post do Big Law, depende do seu perfil. Trabalhar no Estado te proporciona uma agenda previsível,  estabilidade, benefícios, tempo com a família, o prestígio do cargo na sociedade, e o senso de fazer o bem para sua comunidade. Mas, não é o "emprego para ficar rico". Novamente é o caso de se verificar quais são suas prioridades.

https://krenklaw.com

O processo de admissão no curso de Direito dos EUA


Para entender sobre o curso de Direito Americano (Juris Doctor), primeiramente é preciso entender que a estrutura educacional Americana é diferente da brasileira, e o curso de Direito também. Diferentemente do Brasil, nos Estados Unidos o curso de Direito é uma pós-graduação, e é considerado um Doutorado Profissional (não confunda com o Doutorado de pesquisa que estamos acostumados no Brasil). Para cursar Direito nos EUA, é necessário ter um Bacharelado anterior (que pode ser em qualquer área). Neste post, vou explicar para vocês o caminho tradicional para cursar Direito nos EUA.

Photo: Call to the Profession Ceremony - J.D Students 2018
Indiana University Robert H. McKinney School of Law

O Ensino Médio Americano

Diferente do que ocorre no Brasil, o Ensino Médio Americano dura 4 (quatro) anos. São eles:

1)   Freshmen;
2)   Sophomore;
3)   Junior
4)   Senior

Antes de concluírem o Ensino Médio, os alunos se submetem a uma prova de aptidão chamada Scholarstic Aptitude Test, ou SAT (eu poderia comparar com o ENEM). E aplicam para cursar o bacharelado em um College.

O College Americano (Undergraduate Program)

No College, você cursa um Bacharelado (3 ou 4 anos). Existem cursos nas mais diferentes áreas, por exemplo: Química, Biologia, Engenharia, etc. No college você completa Majors e Minors.

O que são Majors e Minors?

São áreas de concentração. Aqui nos Estados Unidos, os colleges oferecem muitas matérias eletivas, o major será o seu grau principal, e o minor significa que você cursou algumas matérias sobre determinado assunto.

Exemplo prático: O Christian (meu marido), cursou Major em Química e Minor em Biologia.

Para estudar Direito, você pode ter um Bacharelado em qualquer área. O Christian, por exemplo, tendo um Bacharelado em Química, poderia aplicar para Direito? Sim! E quem sabe se especializar em Direito da Saúde e trabalhar no Jurídico de alguma Farmacêutica…Viu que o College não é “perda de tempo”?

Ao concluir o College, os alunos que desejarem ser advogados precisarão ser admitidos em alguma Law School. Um dos requisitos para admissão é a nota do LSAT. Sim, outro “vestibular”.

O Juris Doctor

O curso de Direito nos EUA, é chamado Juris Doctor. Em geral, ele tem duração de 3 anos (em período integral). Algumas universidades oferecem meio período (4 anos). 

Apesar do curso ser apenas 3 anos, ele é bem mais intenso que no Brasil. Com aulas de manhã, à tarde e à noite. Enquanto, por exemplo, passamos anos estudando Processo Civil, aqui nos EUA, aprendemos Processo Civil em apenas dois semestres.

O BAR

Concluído o Juris Doctor, ainda temos a nossa versão da OAB: a prova do BAR (mas, esse será o assunto de um próximo post).

Simplificando o caminho para ser advogado nos Estados Unidos:

High School
 +
SAT
              +             
College (Bacharelado)
 +
LSAT
+
Juris Doctor
+
BAR


Esse é o caminho que muitos dos meus colegas Americanos e estrangeiros que cursaram o High School nos EUA enfrentaram. A minha caminhada foi um pouco diferente, pois vim já licenciada para advogar no Brasil, com Ensino Médio, Bacharelado e Pós- Graduação Brasileiros. Em breve, explicarei como foram aceitos meus diplomas brasileiros e o caminho que fiz até o Juris Doctor. 

Até o próximo post!



Como causar uma boa impressão na sua entrevista de estágio



Foto: Escritório no Brasil


Estágios são muito importantes durante o nosso Bacharelado. Eles são a nossa primeira porta de entrada para o mercado de trabalho, onde aprendemos sobre rotina e responsabilidade. No estágio iniciamos nosso networking com profissionais da área e abrimos espaço para duas oportunidades: uma contratação ou uma futura recomendação. Mas, como nos sucedemos durante as entrevistas de estágios?

1. Vista-se para o sucesso


* Vista-se formalmente. De preferência use terno.
* Use uma roupa limpa e bem passada.
* Não use perfumes fortes, o seu entrevistador pode ser alérgico ou, simplesmente, não gostar do seu cheiro;

Mulheres: 


* Dê preferência as cores neutras e clássicas. Evite estampas chamativas ou animal print. Também não use nada sensual, cuidado com as transparências e rendas;
* Use jóias discretas. Evite pulseiras ou colares que façam barulho. A atenção do seu entrevistador deve ser focada em você.
* Se usar saia, tenha o seu joelho como referência. Cuidado com as fendas. Algumas saias mostram demais ao sentar;
* Use maquiagem básica;
* Sapatilhas de bico fino e scarpin são bastante elegantes.

Homens:


* Use o costume (calça e paletó);
* Camisa bem passada e limpa, cuidado com a gola encardida;
*A ponta da gravata fica na altura do cinto;
* Gravata vermelha, azul ou tons próximos;
* Sapatos pretos, meias escuras ou pretas;
* Relógio discreto;
* Moderação em anéis e pulseiras;
* Evitar brincos e piercings;

Contribuição do Professor Gonzalo Salcedo

2. Estude sobre o local


Antes da entrevista pesquise sobre o local de trabalho, a posição e sobre o seu entrevistador. É extremamente importante que você tenha conhecimento sobre o local que você quer trabalhar. Por exemplo: quais as áreas de atuação daquele escritório ou empresa.
Também prepare algumas perguntas para o seu entrevistador, pois muito provavelmente eles te perguntarão se você tem alguma dúvida.

3. Pronomes de tratamento

Advogado no Brasil é Doutor. Por mais que você não concorde com isso. Então, não esqueça do uso dos pronomes de tratamento senhor e senhora. E ao se referir ao advogado, o trate como Doutor. Caso ele diga "pode me chamar de fulano de tal (sem o Dr.)", você estará autorizado a tratá-lo de maneira informal.

4. Saiba como se portar


Você estará sendo observado e julgado em todos os momentos. Preste atenção na sua linguagem corporal e tom de voz. Evite o uso de gírias. Sente-se direito
na cadeira, com postura.

5. Tenha um aperto de mão firme

Um aperto de mão firme demonstra confidência. 

6. Seja simpático e educado com todos os funcionários

Lembre-se que todos serão seus futuros colegas de trabalho. Espera-se que você seja educado com todos os funcionários, incluindo o porteiro e a secretária.

7. Ao final, agradeça pela entrevista

Independente do resultado, você deve ser grato ao interesse do entrevistador por você e ao tempo que ele levou para te entrevistar. Seja cordial, aquela pessoa é seu futuro colega de profissão.

Espero que com essas dicas você arrase na sua próxima entrevista!









Como conseguir o primeiro estágio?



 Dicas para aumentarem suas chances de conseguir o estágio dos sonhos


            Foto: Estágio na Suprema Corte de Indiana


Estagiar pode ser um grande desafio no início da sua vida acadêmica. Não é incomum que alunos do curso de Direito não saibam por onde começar a busca por um estágio jurídico. Algumas universidades brasileiras, não possuem suporte acadêmico necessário e muitos estudantes ficam perdidos, desesperados e depressivos, pois não encontram portas abertas ou orientação.

Durante a minha carreira, estive dos dois lados: o do contratante e do estagiário. No Brasil, por ser filha de uma advogada, eu recebia as orientações em casa. Mas, nos Estados Unidos me encontrei na posição de muitos de vocês. Eu não tinha experiência americana anterior e nem ninguém para "me indicar". Foi um grande desafio.

 Sim, no caminho receberemos muitos "nãos", é inevitável, mas devemos nos preparar da melhor maneira possível para que o sonhado primeiro estágio aconteça.

Por onde começar?

1. Tenha um Mentor

E não falo de Mentoria privada, nem de Coach de Carreiras não. Seu Mentor deve ser alguém que conhece o caminho que você quer percorrer. Os seus professores são os seus melhores orientadores. A sua universidade pode não ter a melhor estrutura do país, mas terá muitos profissionais capacitados a te orientar. A maioria dos professores de Direito são profissionais que estudaram bastante. Muitos tem Mestrado, Doutorado, são autores de livros ou profissionais respeitados na sua área de expertise. Já pensou o quanto eles podem te agregar fora da sala de aulas? Os Professores de Direito também serão uma grande fonte de networking . Você já parou para pensar quantos outros profissionais já foram seus alunos? Procure um Professor que você se identifique e combine um café. A única coisa que você pode receber é um "NÃO", mas lembre-se que você não tem nada a perder. Se receber um não, tenta de novo. Não é difícil encontrar um Professor disposto a ajudar. Muitos que embarcam na carreira acadêmica, estão naquela profissão por vocação. Outro ponto positivo, é que professores são os primeiros profissionais a reconhecerem alunos esforçados e inteligentes. Eles podem te contratar para estagiar, para ser assistente, monitor, ou participar de grupos de pesquisa na universidade. Eles também podem te apresentar para outros profissionais, ou mesmo te referir a alguém. 

2. Tenha um currículo

Sim, é importante ter um currículo profissional e apresentável. Ele é a primeira impressão que o contratante terá de você. É a sua carta de apresentação. 

Nada de fotos! Muitos estados do Brasil tem leis estaduais contra políticas discriminatórias. Por exemplo, a Lei 3699/03 do Rio de Janeiro, proíbe a exigência de fotos em currículos na cidade do Rio de Janeiro. 

Dicas de formatação e modelos: clique aqui. 

Imprima em um papel de qualidade: Aqui nos EUA, utilizamos um papel chamado Cotton Paper. No Brasil, as gráficas ou lojas especializadas poderão orientá-los melhor. 


Quais são os estágios de contratação mais difíceis?

Além de esforçados, precisamos ser inteligentes. Qual a probabilidade de um escritório de advocacia contratar um aluno sem experiência e no início do curso, sem que ele tenha nenhuma referência? A probabilidade é muito baixa. Por isso, começar procurando estágios remunerados em escritório de advocacia pode ser uma perda de tempo se você não tiver experiência ou um padrinho para te indicar. Geralmente, advogados privados procuram estagiários com experiência e que estejam em um nível avançado do curso. Por exemplo, que já estejam cursando processo civil. A rotina e os prazos de um escritório, não permitem que os advogados parem para ensinar uma pessoa do zero. Eles esperam que você já saiba, pelo menos, o básico. Se o estágio for remunerado, os requisitos para contratação também serão maiores.

Por isso, tire vantagem do que a sua universidade oferece. Nela você pode encontrar a primeira experiência do seu currículo: monitoria, projetos de pesquisa, clinicas de prática jurídica e networking. Também reforço neste post a importância de se ter boas notas para processos futuros de ingresso em cursos de pós-graduação. Principalmente, se você quer estudar no exterior, é EXTREMAMENTE importante que você tenha boas notas. Inclusive, para fins de concessão de bolsas de estudo. 

Onde posso encontrar oportunidades?

Os concursos de estágio nos órgãos públicos são uma excelente oportunidade. E, também os estágios voluntários na Defensoria Pública, Forum, Tribunal, Procuradoria, Promotorias, ONGs etc. 
Seja proativo. Lembro que a minha primeira estagiária me abordou em uma festa e disse que o sonho dela era trabalhar com Direito Penal. Ela anotou meu e-mail, enviou um e-mail no dia seguinte e foi chamada para um entrevista. Ela estagiou conosco durante dois anos, e quando se formou, foi contratada para uma vaga na Assessoria. 

Dicas importantes:

1. Leve a sério o seu curso. Por mais que você seja novo e esteja na fase de querer beber e ir para as calouradas da universidade, aprenda que o Bacharelado é quando você planta as sementes. As portas se abrem de maneira mais fácil para alunos estudiosos e com boas notas;

2. Seja proativo, se você não tiver quem te apresente, se apresente sozinho.

3.  Quando uma porta se fecha, outra se abre. Não se enfraqueça no primeiro NÃO. Continue e prove o seu potencial para você mesmo.

4. Quando conseguir o estágio, também o leve a sério. Mesmo se ele não for remunerado. Seja pontual, seja esforçado, aproveite a oportunidade de aprender cada dia mais. 

5. Se fosse fácil, qualquer um conseguiria. Keep going.







Bacharelado em Direito no Brasil

Direito era o curso dos meus sonhos?

A resposta é simples: não, eu nunca sonhei em cursar direito ou em trabalhar na área jurídica. Eu nem sei se eu realmente gostava do curso. Pensei em desistir no meio da faculdade por diversas vezes. O meu encantamento pelo curso veio quando comecei a entender o Direito na prática.

Quando criança eu sonhava em ser Dentista. Mas, essa opção seria logo descartada pela minha falta de simpatia pelas matérias vinculadas à biologia e pelo custo do curso. Logo, descobri o meu amor por história, geografia, comunicação e ciência política. Durante a infância, trabalhei na televisão. Durante três anos eu fiz parte do casting de um programa infantil da Paraíba. Também tinha uma facilidade enorme em aprender idiomas e escrever redações. Eu era o tipo de pessoa que ganhava concursos de redação na escola e tirei 1.000 na Redação da prova do ENEM. Eu tinha fome de leitura. Inclusive, fui contratada pela minha escola para ser monitora de redação quando conclui o ensino médio. Eu fui o tipo de adolescente que pedia um livro de Luiz de Camões no dia das crianças, e esse interesse foi sempre alimentado pela minha mãe. Minha mãe, Eliana Albuquerque, desde que eu não sabia ler, incentivava a leitura. A primeira coleção de livros que ganhei eram da Editora Globo. Eram histórias infantis acompanhadas de uma fita cassete. Eu não sabia ler, mas acompanhava as gravuras dos livros. E assim, veio uma simpatia mais que eterna pelo mundo da literatura.

Diante de tudo isso, eu decidi que queria ser jornalista. Contudo, não recebi apoio da minha mãe, pois na época do meu vestibular já existiam rumores que não seria necessário um diploma para ser jornalista no Brasil. Mamãe, que é advogada, e que tinha mais experiência de vida e de mercado do que eu no auge dos meus 17 anos, me orientava: "Talitha, faz outro curso para garantir um diploma. Depois você faz Jornalismo. Tenta Direito. Tem tudo a ver com você. Você gosta de ler, de escrever e de falar. Advogado faz tudo isso também." Mas, fiz vestibular para Jornalismo na UEPB e na UFPB. Minha mãe, então, me inscreveu no vestibular de Direito do Centro Universitário de João Pessoa. Era a melhor universidade particular do meu estado. Ela disse "tenta", é só uma tentativa. No final, você escolhe. 

Na minha cabeça de 17 anos, meus planos de ser âncora do Jornal Nacional continuavam. Fiz o vestibular das públicas, mas não passei (por intervenção divina) na UFPB. Fui a primeira pessoa da lista de espera, e não fui chamada. Nessa época existia o sistema de PSS, onde o vestibular era divido nos três anos. Eu preferi reaproveitar as notas e fazer apenas a prova do terceiro ano. Talvez, esse tenha sido o meu erro. 

Passei na UEPB no curso de Comunicação Social (que era a minha primeira opção), pois além de trabalhar na Globo eu queria ser independente e morar sozinha aos 17 anos. Minha mãe, então, me colocou em um ônibus para Campina Grande-PB para que fizesse a minha matrícula no tão sonhado curso que me levaria à Globo. Minha carreira de jornalista durou apenas 1 dia. A universidade estadual estava sucateada na época, não consegui me matricular, pois havia apenas um computador e esse estava quebrado. Quando consegui, após retornar à universidade, não tive acesso ao meu horário, pois a impressora da faculdade estava quebrada. Comecei a olhar as condições em que eu viveria e a estrutura da faculdade. Também realizei que nāo seria tão divertido assim morar sozinha. Foi quando liguei para minha mãe e disse: "eu faço o curso que você quiser, mas me tira daqui."

Então, voltei para João Pessoa para cursar Direito no Centro Universitário de João Pessoa. Uma universidade com uma estrutura fantástica em que eu desenvolveria todo o meu potencial.  Eu era uma menina, aos 17 anos não pude nem assinar o contrato com a universidade sozinha. Iniciei o curso, mas ainda não estava satisfeita. No terceiro semestre ainda chorava bastante pensando em desistir. Mas, tive paciência. Sabe, uma coisa que aprendi nesses anos de vida é que paciência e tempo são ingredientes importantes para nos sucedermos. 

No próximo post, contarei sobre como foi meu caminho durante o curso e quando, finalmente, comecei a gostar de Direito. Aguardem!!!

Um beijo,

Talitha Krenk



WELCOME

Olá! Agora sou oficialmente uma blogueira. Criei esse espaço para dividir um pouco da minha trajetória acadêmica com vocês e auxiliar aqueles que, assim como eu, um dia sonharam em ter uma carreira no exterior.

Espero que vocês aprendam bastante com os meus posts, e que eles sirvam de incentivo para que através dos estudos, vocês consigam realizar os seus sonhos.

Um beijo,

Talitha Krenk