O Mercado de Trabalho Americano para Advogados Estrangeiros


Esse post não tem a intenção de desmotivar ninguém. Muito pelo contrário. Saber a realidade do mercado de trabalho americano o ajudará a planejar melhor a sua carreira. 

Conseguir uma licença para advogar nos EUA, é diferente de conseguir um trabalho. Esse é um desafio muito maior do que passar na prova do BAR. Todos os anos milhares de advogados estrangeiros se deslocam de seus respectivos países, sonhando em migrar e trabalhar nos EUA. A sua concorrência não se limitará a advogados brasileiros ou latinos. Mas, você terá concorrentes de todos os lugares do mundo que também tem o sonho americano.
Fora os concorrentes, o seu maior desafio é o sistema imigratório em si, que vem mudando bastante com o governo Trump (e com a pandemia). Mas, podemos relacionar o nível de dificuldade na contratação de estrangeiros com o tipo de visto que você tem. Eu recomendo que você contrate um advogado de imigração para discutir os possíveis vistos que se encaixam na sua realidade e no seu padrão financeiro. 
Alguns vistos, não te permitem trabalhar, e como consequência você precisará de um sponsor após o término do curso. Então surge um outro desafio: encontrar alguém que patrocine o seu visto de trabalho.

Como não sou advogada de imigração, abordarei apenas os cenários mais comuns dos advogados estrangeiros: o visto de estudante e o green card. 

1.     Visto de Estudante:

Quem vem como estudante, geralmente pode trabalhar apenas no campus, part-time e deve cumprir um número mínimo de créditos/hora. Após o término do curso, quem deseja permanecer nos EUA pode solicitar um OPT (optional practical training). Durante a validade do OPT, você poderá permamecer no país trabalhando por alguns anos. 
Neste momento, você deve focar em conseguir um empregador que patrocine para o seu visto de trabalho. 
Na área jurídica, os patrocinadores são bem limitados: em geral são escritórios Big Laws, e empresas. Escritórios de médio e pequeno porte dão preferência a quem já tem permissão de trabalho. Para ser realista, o motivo é bem simples: o custo do processo de imigração. 
Contudo, algumas pessoas conseguem fazer acordos com empregadores de escritórios menores para pagarem o seu próprio processo. E assim, conseguem patrocínio. Outros, os empregadores menores gostam do trabalho do funcinário, e após alguns anos acabam patrocinando o visto. Tudo depende de dois elementos: competência e sorte. 

Em tese, Big Laws contratam os alunos que concluíram o Juris Doctor. Eles não se importam muito com experiência em si, pois eles treinam o empregado. Nos EUA, as notas são bastante valorizadas e para conseguir apenas uma entrevista em um escritório internacional de grande porte você precisa ter um histórico impecável. 

Já o mundo corporativo contrata advogados com experiência, pois eles precisam do candidato pronto. O mundo corporativo não tem tempo de treinar recém formado. A boa notícia é que se você já trabalha no corporativo brasileiro, a sua experiência pode contar no exterior. 

2.     Green Card/ Permanente Residente: 

Para quem tem green card o mercado é bem mais amplo, pois você tem permissão de trabalho e quase todos os direitos civis. Neste cenário, você pode seguir qualquer carreira privada ou pública (estadual). Infelizmente, vagas públicas federais são permitidas apenas para U.S. citizens. Mas, para quem tem green card não ter que lidar com questões imigratórias já te coloca a frente de muitos candidatos internacionais. Eu diria que o seu maior desafio é concorrer com os americanos, pois os EUA é um país bastante patriota e que dá preferência aos nativos. 


Esses são os cenários mais comuns entre advogados estrangeiros que vem estudar nos EUA. A maioria deles, tem a pretensão de fazer o LL.M e o BAR de NY ou CA, mas poucos pensam no mercado de trabalho e como se preparar melhor para esse mercado. 

Por isso, um planejamento de carreira é extremamente importante para que seu investimento financeiro tenha as maiores chances de retorno. 

Até o próximo post. 


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